Pesquisar este blog

Só escrevo se o poema sair do silêncio.




Só escrevo se o poema  sair do silêncio.

Só escreverei um poema

se ele vier do silêncio,

se ele surgir feito uma serpente 

num bote surpreendente,

feito um felino sorrateiro

que espreita na tocaia

e salta na hora certa.


Não escreverei sentimentalismo de fracassado,

nem me entrego ao cigarro ou a bebida, 

não, só escrevo se o poema  sair do silêncio.


Nessa minha espiritualidade particular;

sem igreja, nem uma seita ou fraternidade

o que importa é o silêncio.


O silêncio é o fogo do espírito,

o Ser mora no silêncio;

os pensamentos são fumaças, são cinzas 

que nada acrescentam, 

a não ser a morte e a doença.   


Em minha mesa não há copos, garrafas ou cinza de cigarro,

eu me suporto, valorosamente, me suporto. 

Não sou isso, não sou aquilo,

apenas faço isso ou aquilo,

Ser é outra coisa muito intima e silenciosa. 

J. Nunes 

Nenhum comentário:

Postar um comentário