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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Impreciso


Não há um troféu ou medalhas na prateleira
para dizer que fui vencedor em alguma coisa,
porém nada indica meus fracassos;
meu silêncio sobre tudo
o que foi a vida não deixou rastros.

Quem sou eu?
um gole de vinho descendo a garganta,
esquentado e acelerando a circulação do sangue,
deixando um gosto doce
e um final levemente amargo em meu paladar
é tudo que sou agora,
nada indica que sou mais do que isso.

Um outro momento
pode até ser que eu desça ao inferno
de meus desgostos com a vida,
mas agora, tudo que há é esse gosto de vinho tinto
que ainda sinto em minha boca.

Um apocalipse, um castigo de Deus,
um amanhã de carnificina nas ruas;
todos dizem desse dia...
muito se  preparam para esse dia,
é certo que se esse dia acontecer,
ninguém estará preparado,
já que ninguém pode estar preparado
estão eu vivo...,
e se vier,  de todo modo, não estarei preparado,
mesmo que julgasse estar preparado para um juízo final.

Só me resta um último gole,
vivo construindo cada momento,
não tenho nem sequer esboço do que serei,
se é que serei alguma coisa.

O que resta é essa agonia de não ser,
ou de ser tão impreciso quanto não existir,
olho outra vez a prateleira de condecorações, troféus e medalhas,
não há nada, suspeito que não existi
pelo menos do modo que eu sempre pensei que existia.

Tudo o que há é o silêncio de não ser nada,
e esse último gole de vinho na boca,
se Deus está lá, ainda não falou comigo,
mas eu sempre penso que ele falou comigo,
para não enlouquecer de abandono..
tenho pecado só para sentir que existo,
que Deus me perdoe.

Nunes 

16-11- 2020


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