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sábado, 4 de janeiro de 2020

Caminhadas ao pôr do sol


Dessa mesa de um bar de esquina,
De frente para a rotatória e o passeio público;
Gentes cuidam do corpo com suas caminhadas ao pôr do sol.

Gentes falam da política,
Da novela e sua nova educação sexual
Para criar públicos consumidores,
Ou para controlar a população mundial...
Gentes falam do aquecimento global,
Do fim dos tempos, das profecias de São Malaquias,
De seus costumes de bom cidadão.

Meninos brincam com seus jogos eletrônicos,
Zumbis, ao celular, são atropelados
Enquanto atravessam o sinal vermelho,
As mulheres falam das promoções,
Homens falam de seus times campeões.

Eu que não tenho paciência
Para conversas vazias apenas observo...
Eu e eles pensamos que dirigimos à sociedade,
Que estamos no controle da vida...
Suspeito de minha insignificância
E da falta de importância 
Que há em uma vida sem alma.

Um corpo esquecido de si mesmo, em aparelho eletrônico,
Colidiu e fundiu se ao carro,
Onde estava o motorista também fundido ao carro com apego e ilusão...
É só mais uma tragédia para os jornais de amanhã,
Só de amanhã, e nada mais...

A multidão, que não pode fazer nada,
Veio assistir ao espetáculo,
Se descontrair com a desgraça alheia
E sentir-se vaidosas e aliviadas 
Porque suas desgraças pessoais são menores...
Teremos assunto para a semana inteira.  
Essa gente, feito urubu, encobriu minha visão,
Não vejo mais nada do outro lado da rua.

Me recordo de olhar para mim mesmo,
E nisso está toda a mística. 

Nunes

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