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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

A consistência vaporosa de sermos nós

Serei agora o que não fui a pouco.
Não sei se serei de fato ou tudo não passa
De uma encenação vaporosa de ser,
Mas certamente é também uma maneira
Inconsistente de ser, mesmo que vaporosa.

É certo que não serei por muito tempo,
Afinal, não tenho estações e faces lunares
Sou na verdade algo como espelhos
Que refletem e isso é tudo.

Serei o que não fui ontem;
Amanhã nem Deus sabe.
Como é que posso saber do amanhã
Se a vida é acidental, se viver
É caminhar no escuro, é habitar o acaso.

Certeza, deixo para aqueles que dizem ver Deus,
Certeza, deixo para os puros e simples de coração,
Para aqueles que põe consistência vaporosa em tudo.

Eu sou gente suja, eu sou pagão
Tenho remorsos e medos e não me arrependo,
Por isso sempre sou outra vez o que fui outrora.
Eu sou gente suja, não sou o bom Cristão
Não tenho a verdade, a salvação garantida
Nem um infinito estoque de perdão.

O que eu sei,
É da inconsistência vaporosa de sermos nós.


Nunes

08-07-2010

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