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quarta-feira, 24 de julho de 2019

O Curador Ferido



Minhas flechas estavam apontadas
Para o alvo,
Mas uma criatura celeste
Cruzou o meu caminho,
Feito um pai que impede a criança
De ir para aonde quer.

Quebrou meu arco e minhas flechas,
Eu ainda insisti.
Quebrou minhas pernas,
Eu ainda insisti.
Quebrou minhas asas,
Eu ainda insisti.
Feriu minha cabeça,
Eu ainda insisti.
Feriu meus olhos e ouvidos,
Eu ainda insisti.
Me fez invisível para o mundo,
Eu ainda insisti.
Ergueu uma barreira no caminho,
Eu ainda insisti.
Me humilhou em praça pública,
Eu ainda insisti.
Me quebrou, me feriu, me torturou
Me dobrou, me dominou...
Fui amansado como se amansa
Um cavalo impetuoso e selvagem,
Fui arqueado como se arqueia
Um servo orgulhoso e petulante,
Fui á lona pedindo que poupasse
Minha vida.

Destruiu todas as minhas resistências,
Fiquei tão quebrado
Que não tenho força para resistir;
Apenas abro a boca para pedir misericórdia.

Agora que estou arqueado,
Dobrado, ferido e quebrado...
Compreendi a lição.

Estou curando minhas feridas
No corpo e na alma,
Estou retirado do mundo,
Estou me recuperando
Para poder seguir o caminho
Onde eu sou o curador de mim mesmo,
E dos companheiros de jornada.

José Nunes Pereira




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