Pesquisar este blog

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Minha velha juventude

Em outro momento o amor brilhou assim,...
Outras vezes eu quase enlouqueci,
Coloquei na pessoa amada todos os meus ideais,
Pensei que o amor viesse pronto e com um manual...
Logo apareceram outras pequenas discórdias,
Defeitos quase intragáveis,
Desejos irrealizáveis,
Sonhos que não eram meus,
Incompatibilidade de gênero...
Com tudo isso, o amor foi para os bastidores
E sobressaiu o ódio, a raiva por não poder realizar o que foi sonhado...
Em todos esses momentos os princípios morais e a ética
Não me deixou faltar com o respeito...
Mas tudo já está em ruínas, penumbras e escombros.

Dessa vez não vou me deixar guiar pelo brilho de olhos amorosos
Que acendem em mim um desejo de viver o amor
Tão intensamente como quando eu era jovem...
Eu ainda conservo no corpo e na alma a imortalidade do amor
E o desejo de ser livre, sou tão jovem por dentro,
E me sinto ainda muito jovem por fora...

Tão jovem que o amor me arde na pele,
E meu coração ainda deslumbra o fogo, a vida e a liberdade
Porque em minha alma tem ainda o fogo
Que não cabe, que não sucumbe  nessa vida sem tempero e sal...
Deslumbro uma vida intensa de Deus e amor carnal.
Apesar de incontáveis fracassos
Tenho o mesmo sangue nos olhos e o mesmo fogo no coração
De quando eu era jovem e deslumbrava esses sonhos,
Hoje, contados todos como derrotas incontestáveis.

Mesmo que eu desapegasse dos preceitos morais e da ética,
Minha alma e minha mente não me permitiria tamanha ousadia...
A sensatez e a lógica fala mais alto,
A experiência  me faz prudente e cuidadoso...

Foi preciso muitos fracassos para dizer o que vou dizer agora,
De outro modo não seria possível dizer que me sinto
Tão próximo dos jovens por ter que cair tantas vezes
E recomeçar tantas vezes,
Me sinto perto dos jovens porque
A vida me obriga sempre a viver caindo, abandonando o que não deu frutos
E a recomeçar outras projetos como se eu fosse um rapaz de vinte anos.
O fracasso não me permitiu a arrogância e a indiferenças
Dos velhos bem sucedidos e muito respeitados pelo que são e foram.
Eu não fui nada...Logo é descabida qualquer prepotência,
No entanto me sinto tão bem e jovem que  o orgulho, a vaidade e a arrogância
Me são descabidas, até mesmo que eu não tenha nada para me orgulhar.

Confesso que me  incomoda parecer tão jovem
E no fundo tenho essa vergonha de ser um fracasso na vida.

Pensei que posso usar e olhar esse amor de outro modo,
Mas o que é o amor se não uma ilusão e uma idealização da pessoa amada,
Depois o amor exige reciprocidade, e quase sempre quer que o seu amado
Viva em seu mundo...Assim começa as primeiras discórdias,
As diferenças são negociadas, algumas coisas são abandonadas
Até que o amor, a juventude e a liberdade morrem porque perdem o ar...

Eu não perdi o ar porque tenho na alma um fogo incontido.

Não escrevo poemas com a ilusão de que serão lidos,
Só continuo escrevendo para não enlouquecer...
Por causa do fogo do amor e do tédio dos fracassos.

José Nunes Pereira


   



Nenhum comentário:

Postar um comentário

COMPARTILHAR