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sábado, 20 de abril de 2019

Música Imprevisível


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Música Imprevisível 


Toquei feito corda de violão
O fio  desafinado
Da teia da Aranha de Bananeira...

O som imprevisível da queda d'água, 
Que depois corre entre árvores,
Mais o canto das cigarras,
Desse grilo,  o sapo o salto de um peixe,
Dos pássaros e das asas dos insetos,
Ventos nas folhas e estralar de bambus 
Arqueado ao vento...
O som de um bicho qualquer
E a qualquer momento,
Ainda o som de quedas de galhos 
E frutos, mais o sopro constante do vento
E da água que não cessa de cair e correr
Entre pedras e troncos.

A qualquer momento entra um vento mais forte
E a chuva fina  nas folhas e as gotas no chão e no rio. 
Os passos de um cavalo,
O ronco de um motor não muito longe...
A música imprevisível não para nunca,
Quando tudo cala resta o som de meu sangue
Correndo em minha veia, o som das mandalas da alma,
O timbre do cerebelo, a visão, o ouvido de outro plano 
E o som do coração que bate
E ama a música improvável.  

Quando tudo cala posso ver e ouvir
A voz de séculos que ainda está viajando
No espaço e fazendo essa música imprevisível...
A voz de uma mãe ainda chama,
Em um plano muito mais sutil, 
O menino que brincava embaixo das árvores.

O seu corpo deitado sobre a cama
Me lembrou o violão 
Que não pode tocar essa música improvável. 

José Nunes Pereira 


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